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Traumatologia Esportiva

Traumatologia Esportiva

A prática de atividades físicas, embora traga, comprovadamente inúmeros benefícios a saúde, muitas vezes estão associados ao desenvolvimento de lesões. Estas, podem ser decorrentes de traumas agudos ou de repetição. Entre as lesões traumáticas, poderemos citar entre as mais frequentes, o entorse do tornozelo, as lesões musculares, tendinites, lesão do ligamento cruzado anterior e lesões meniscais do joelho.

Entorse de Tornozelo

É a lesão mais frequente entre todas as modalidades esportivas, podendo variar de 16-21%. Algumas modalidades esportivas, como o basquetebol, pode chegar a quase 50%. Em nosso meio, onde o futebol tem um grande número de praticantes, chega a 31% entre todas as lesões.

O objetivo no tratamento do entorse do tornozelo é restabelecer uma articulação estável e indolor. Para tanto, é de fundamental importância tratar de maneira adequada o primeiro episódio, onde mesmo numa lesão completa dos ligamentos talofibular anterior, calcâneofibular e talofibular posterior, após um período adequado de imobilização, até os pacientes readquirem a estabilidade articular.

Associado a uma correta reabilitação cerca de 90% dos pacientes readquirem uma articulação normal.

Lesões Musculares

As lesões musculares decorrem de traumas diretos e indiretos e são classificadas em 3 tipos:

O estiramento que é a lesão mais leve e decorre de uma deformação plástica da fibra muscular, sem a ocorrência de uma rotura propriamente dita. A cicatrização vai ocorrer com o tratamento adequado e visa a recuperação da elasticidade e força muscular.

A distensão que é a lesão decorrente de uma contração abrupta ou um alongamento excessivo da fibra muscular, levando a sua ruptura. A cicatrização ocorrerá, formando um tecido fibroso no espaço formado pela ruptura das fibras musculares. O objetivo do tratamento é promover um melhor alinhamento destas fibras e como consequência um menor “gap” entre as fibras rompidas, fazendo com que um menor tecido fibroso seja formado no músculo. Da mesma forma é fundamental recuperar a elasticidade e força do grupo muscular afetado.

A contusão que é a lesão decorrente de trauma direto. A dimensão da lesão vai depender do grau de energia envolvido no trauma. Quanto maior a energia, maior o dano de partes moles, havendo uma maior formação de tecido fibroso com perda da elasticidade e força muscular.

Acompanhamento Médico

É fundamental o acompanhamento multidisciplinar e uma integração entre o médico, o fisioterapeuta e o educador físico para planejar uma correta estratégia de tratamento, visando o restabelecimento da função, diminuindo a incidência de recidivas da lesão.

Tendinites

As tendinites são inflamações que ocorrem nos tendões, e pode se apresentar de duas formas: aguda e crônica. O processo inflamatório vai se desenvolver a partir do momento que se ultrapasse a capacidade máxima de resistência tecidual. Fatores que aumenta a capacidade de resistência tecidual são o condicionamento físico e a flexibilidade do tendão. Nos membros inferiores, um dos locais mais frequentemente inflamados, é a tendinite patelar, onde o processo inflamatório, geralmente ocorre junto a inserção proximal do tendão patelar na patela (joelho do saltador).

Uma vez instituído um tratamento adequado para uma tendinite aguda, a atividade inflamatória cede, e o trabalho fisioterápico, restabelece a elasticidade e força. Recuperando o equilíbrio entre a musculatura agonista e antagonista, sendo fundamental a integração entre médico, fisioterapeuta e educador físico.

As tendinites não tratadas corretamente, negligenciadas ou recorrentes podem evoluir e gerar alterações degenerativas nos tendões que venham exigir tratamento cirúrgico planejado ou até mesmo de urgência em casos onde ocorra uma ruptura, geralmente decorrente do enfraquecimento do tendão causado pelo processo degenerativo.

Lesões Meniscais do Joelho

Os meniscos são estruturas ficrocartilaginosas que apresentam as seguintes funções na articulação do joelho:

  • Função amortecedora
  • Transmissão de Forças
  • Absorção do Choque
  • Estabilidade Articular
  • Lubrificação Articular e Nutrição
  • Propriocepção

Pacientes que possuem lesões meniscal, apresentam dores na interlinha articular, associado a bloqueio articular e também sensação de falseio (instabilidade). Para lesões periféricas, longitudinais menores que 1 cm, o tratamento é conservador. Logo, lesões longitudinais periféricas em pacientes jovens, maiores de 1 cm, apresentam indicação de sutura artroscópica.

Tratamento

A vascularização do tecido meniscal se faz na periferia o que tem fundamental importância no planejamento do seu tratamento. Somente o 1/3 periférico meniscal é vascularizado, ou seja, lesões que ocorrem fora desta área, possuem um baixo potencial de cicatrização. A preservação do tecido meniscal é fundamental para manutenção do equilíbrio articular, sendo que mesmo necessária em lesões com baixo potencial de cicatrização as meniscectomias (remoção meniscal) tendem a ser menores tentando-se preservar a maior quantidade de tecido meniscal.

Os vídeos abaixo mostram um caso de lesão meniscal periférica e sua sutura meniscal.

Os vídeos abaixo mostram uma lesão meniscal medial e seu tratamento artroscópico por vídeoartroscopia.

Os vídeos abaixo mostram uma lesão meniscal lateral e e o seu tratamento artroscópico.

Pacientes submetidos a sutura meniscal, devem evitar fazer flexões maiores que 90 graus por 45 dias e estão liberados a praticar atividades esportivas após 6 meses da cirurgia.

Paciente submetidos a meniscectomias parciais, são liberados a apoiar precocemente e geralmente retornam às atividades físicas após 60 dias. Convém ressaltar que existe uma variabilidade do tempo da recuperação pós-operatório devendo ser analisado caso a caso junto ao seu médico especialista.

Lesão de Ligamento Cruzado Anterior do Joelho

O ligamento cruzado anterior é o principal estabilizador do joelho, e sua função impede o deslocamento anterior da tíbia em relação ao fêmur. Os pacientes com lesão deste ligamento, referem, muitas vezes, um episódio de entorse ou trauma desta articulação seguido de inchaço, dor e posteriormente, sensação de falseio.

A instabilidade provocada pela lesão deste ligamento, pode, à partir de 6 meses, causar lesões degenerativas da cartilagem articular. Após 5 anos, de lesão, 50% dos pacientes apresentam artrose da articulação do joelho e após 10 anos, 75% dos pacientes possuem este quadro.

Em 50% dos casos de pacientes que possuem lesão do LCA (ligamento cruzado anterior), possuem lesões meniscais associadas, sendo mandatório, investigarmos a ocorrências destas lesões. O exame clínico do paciente pode, com grande índice de acurácia, reconhecer esta lesão e os testes mais aplicados são o Lachmann e o Pivot Shift Test.

Atualmente, a indicação de tratamento para indivíduos ativos fisicamente que apresentam instabilidade anterior do joelho, é a reconstrução ligamentar com o uso de enxertos. Os enxertos mais utilizados no momento são: os tendões da pata de ganso (semitendinoso e gracilis) e o tendão patelar.

Desde 1997, utilizamos em nossa rotina a reconstrução do LCA com usto de tendões flexores (grácilis e semitendinoso). Esta técnica, além de ter uma morbidade menor, em nosso ver, permite um pós-operatório menos doloroso e uma estética melhor por não envolver um acesso anterior no joelho.

Em termos funcionais os enxertos citados anteriormente são equivalentes e indicados para este fim com total respaldo da literatura.

Os pacientes são orientados a mobilizar e apoiar precocemente do membro inferior acometido, sendo encaminhado ao acompanhamento de fisioterapeuta e educador físico.

Na grande maioria das vezes, os pacientes são liberados a retornar às atividades físicas de contato físico após 6 meses.

Ruptura do Tendão de Aquiles

A ruptura do tendão de Aquiles é uma lesão que ocorre em indivíduos adultos, geralmente do sexo masculino e após a quarta década de vida, e está relacionado a um histórico de dor crônica ao nível deste tendão, que sofre um processo degenerativo e posteriormente predispõe a uma rotura.

O diagnóstico da rotura do tendão de Aquiles, se faz através da realização do teste de Thompsom que preconiza a compressão da panturrilha promovendo uma flexão plantar, quando este tendão se encontra íntegro. Na vigência de uma rotura, não ocorre a movimentação em flexão do pé com a compressão da panturrilha.

O melhores resultados do tratamento da rotura do tendão de Aquiles em indivíduos jovens e ativos, se faz através do tratamento cirúrgico com a tenografia associada ou não ao reforço com enxertos locais (tendão fibular curto ou flexor longo do hálux) ou à distância (tendão semitendinoso ou grácilis).

Alguma condições como a falta de condições clínicas ou até mesmo o desejo do paciente em não realizar o tratamento cirúrgico, nos levam a realizar o tratamento conservador. Tal tratamento exige uma imobilização prolongada (12 semanas de imobilização) e está, geralmente, associado a uma perda da força de flexão do pé.

As complicações possíveis do tratamento cirúrgico são, infecções, necrose de pele, neurites ou neuromas e dor crônica persistente.

Apesar disto, os melhores resultados funcionais são obtidos com o tratamento cirúrgico.